Como será a moda do futuro?!

Para quem trabalha com moda e acompanha seus movimentos, sabe bem que estávamos vivendo uma mudança, vagarosa é bem a verdade, mas já visível. No meio desse movimento, viramos a esquina e demos de cara com uma pandemia que paralizou o mundo e nos colocou dentro de casa com tempo de sobra para avaliarmos e reavaliarmos nossas escolhas e nossas vidas. Essa pausa insana porém, ao meu ver, necessária acelerou e muito essa mudança que o setor de moda estava experimentando e podemos adicionar isso a pequena lista de benefícios que vieram junto com o corona vírus.

A Indústria da moda é uma das mais poluntes tendo um impacto ambietal gigantesco. Os tingimentos realizados com petroquímicos, os gastos de água e energia, o uso do algodão e toda a sua cadeia de produção, além da velocidade em que consumimos e descartamos as peças fazem dessa indústria uma das maiores ameaças ao meio ambiente.

Tá bom, mas e aí? Quer dizer que a moda tem que acabar? Que não devemos mais amar nos vestir bem?

Claro que não! Deus nos livre , né?! A moda nunca vai acabar e nem deve. Moda é arte, é forma de expressão e criatividade. É uma indústria que gera milhões de empregos e é fundamental para a econômia girar. Então como resolver esse impasse?

A chave está em nós mesmos, consumidores. As empresas já entenderam que não tem mais como existirem sem uma preocupação e ação em relação aos impactos gerados, que seus clientes começaram a ter um olhar mais atento em como aquele produto chega as prateleiras. Mas mesmo assim ainda estamos passos átras do que deveríamos. Precisamos parar de consumir com a velocidade que fazemos urgentemente, olhar mais para qualidade e durabilidade do produto, de que forma aquela peça é produzida, quais os materias usados e o principal: saber usar suas roupas por toda a vida útil que possuem.

Por mais que todas essas questões de sustentabilidade sejam pauta hoje em dia e que as empresas já tenham, de alguma forma, se adequado a essa nova demanda de seus consumidores. Vocês acreditam que as vendas (online) durante a pandemia, momento em que todos estavam em casa e não tinham sequer para onde ir, tiveram um salto? A Farm, segundo o caderno Ela do O Globo, tem faturado 1 milhão/dia no seu e-commerce frente aos 420mil que faturava antes da pandemia dentre vários outros exemplos. Tudo bem que o distanciamento social nos fez mais ansiosos e isso pode facilmente se refletir em mais compras. Porém, acende uma luz de alerta sobre as motivações de consumo.

As empresas são reativas aos consumidores e enquanto esses estiverem comprando em grande velocidade, sem atentar para quem e o que está por trás da produção daquela peça teremos empresas explorando mão de obra (terceirizada ou não), sem cuidado com os impactos da sua cadeia produtiva e por aí vai. Como consumidores somos a mola propulsora dessa grande e necessária mudança.

A pergunta que fiz no título não é fácil de ser respondida porém arrisco dizer que a moda do futuro é a SLOW FASHION. Não há meios de sustentarmos a moda do jeito que vivenciamos hoje. Acredito em uma moda com propósito onde exista uma real preocupação com mão de obra, matéria prima, durabilidade, qualidade e descarte dos produtos. Além, é claro, de uma reeducação de nós mesmos em relação ao que realmente importa quando consumimos algo e o que fazemos com o que consumimos. Somado a essas questões vejo o reuso, reparo e upcycling como grandes ferramentas que devemos abusar na moda.